
Suno substitui seus modelos de IA por um novo treinado com músicas licenciadas enquanto os processos por direitos autorais se acumulam
A criadora de modelos musicais de IA Suno revelou na quarta-feira uma nova família de modelos chamada Suno v6, que, segundo a empresa, foi desenvolvida usando dados licenciados de gravadoras e distribuidoras de música, como Warner Music Group, BMG e Believe.
A Suno tem enfrentado múltiplos processos de gravadoras, que acusaram a startup de usar dados protegidos por direitos autorais para treinar seus modelos de IA, que permitem gerar músicas a partir de comandos de texto. A Suno chegou a um acordo com o Warner Music Group no ano passado e fechou um acordo com a BMG no mês passado.
A empresa afirmou que o Suno v6 não foi treinado com os dados usados nas versões anteriores de seu modelo de geração de música.
A startup está lançando três versões do modelo: o Suno v6 básico está disponível para usuários pagantes e é considerado confiável e direcionável para resultados controlados; o Suno v6 wild é um modelo experimental, também disponível para usuários pagantes, voltado para ideação e obtenção de resultados inesperados. Por fim, o Suno v6 mini é uma versão mais rápida disponível para todos os usuários. A empresa planeja descontinuar seus modelos mais antigos.
A Suno afirma que a nova linha de modelos oferece maior flexibilidade em seu uso. O Suno v6 permite editar parte de uma música usando um comando de texto ou uma palavra na letra, e até mesmo usar textos, imagens ou vídeos como referência para criar faixas. É possível separar um instrumento de um sample e criar uma nova batida com ele.
A startup também afirmou que planeja adicionar novos recursos, como permitir que os usuários façam remixes de músicas — desde que os respectivos artistas optem por participar de um novo programa que está sendo criado com gravadoras, permitindo que a Suno use suas músicas em recursos gerados por IA.
Jack Brody, diretor de produtos da Suno, afirmou que, por meio de trabalhos derivativos, há mais oportunidades de geração de receita para todas as partes interessadas
“Acho que o ecossistema musical e nossos parceiros estão sempre buscando maneiras de criar mais oportunidades de receita para seus detentores de direitos e artistas. Portanto, uma grande parte deste lançamento é criar fluxos de receita adicionais nessa frente”, disse Brody ao TechCrunch em uma entrevista.
No mês passado, a Suno disse que planeja adicionar uma marca d'água às músicas geradas em sua plataforma. Recentemente, a empresa também introduziu novos limites de download com base no nível da conta.
“Podemos ajudar a gerenciar alguns dos desafios mais amplos do ecossistema, como fraudes de streaming, exportação em massa e uploads de baixa intenção para distribuidoras. No fim das contas, acreditamos que cabe às distribuidoras e plataformas governar qual conteúdo é publicado nelas”, afirmou.
A Suno ainda enfrenta processos de gravadoras como Sony e Universal Music Group, de artistas como Jason Isbell e de usuários que alegam que a empresa ignorou a segurança em busca de lucros. O anúncio do modelo ocorre um dia depois de a empresa admitir que treinou seus modelos usando vídeos do YouTube.
Apesar dessas controvérsias, a Suno já arrecadou mais de US$ 819 milhões em financiamento até o momento, de acordo com dados do PitchBook.