
Polícia australiana prende dois por ataques do TeamPCP visando Mercor, OpenAI e outros
A polícia australiana prendeu duas pessoas em Perth acusadas de serem membros do TeamPCP, um grupo de hackers prolífico culpado por ataques cibernéticos de grande repercussão contra gigantes da tecnologia nos últimos meses. Os dois foram acusados de mais de uma dezena de crimes de invasão, lavagem de dinheiro e outras infrações cibernéticas, e devem comparecer ao tribunal ainda nesta quinta-feira.
De acordo com um comunicado da Polícia Federal Australiana, os dois homens são acusados de violações generalizadas envolvendo o comprometimento e a adulteração de projetos populares de código aberto. O objetivo dos hackers era infectar um grande número de computadores para roubar credenciais e dados, e então extorquir as vítimas para o pagamento de resgate.
O chefe da divisão cibernética do FBI, Brett Leatherman, foi citado dizendo que os dois supostos membros do TeamPCP são acusados de invadir mais de mil organizações como parte de seus ataques.
Não está claro se o Departamento de Justiça planeja solicitar a extradição, e um porta-falante do FBI não comentou imediatamente quando contatado pelo TechCrunch.
O TeamPCP é uma gangue cibercriminosa prolífica conhecida por várias campanhas de invasão generalizadas direcionadas à cadeia de suprimentos de software, nas quais os hackers invadiam e modificavam maliciosamente uma ferramenta de software de código aberto popular usada potencialmente por milhares de empresas.
Uma vez instalados nos sistemas de uma empresa ou desenvolvedor, o código malicioso rouba suas chaves privadas e outras credenciais confidenciais usadas para acessar sistemas de armazenamento em nuvem e, muitas vezes, dados de clientes. As autoridades disseram que os hackers roubaram mais de meio milhão de credenciais para expandir seus ataques a outras empresas.
Os hackers foram apontados como responsáveis por um ataque cibernético à popular ferramenta de escaneamento de vulnerabilidades Trivy, que afetou qualquer empresa que dependia dela, incluindo LiteLLM, a startup de recrutamento com IA Mercor, entre outras. Os hackers também são suspeitos de invadir a infraestrutura em nuvem da Comissão Europeia, além de visar outros projetos de código aberto e aplicativos de desenvolvedores que permitiam acesso a gigantes da tecnologia como GitHub e OpenAI.
As autoridades australianas disseram que suas investigações começaram em abril de 2026, após receberem informações de várias empresas de segurança cibernética.
A polícia não divulgou os nomes dos homens presos, mas o jornalista independente de segurança cibernética Brian Krebs noticiou com exclusividade que um dos supostos hackers presos agora é Ruben Thomson, cujo apelido de hacker é Ellis. Krebs relatou na quinta-feira que esteve em contato com Ellis nos últimos meses, e o hacker disse a Krebs que era o líder do TeamPCP até março de 2026.
Krebs afirmou que Ellis cometeu erros que permitiram ao jornalista descobrir a verdadeira identidade do suposto hacker.
Durante uma entrevista coletiva na quarta-feira para anunciar as prisões, as autoridades australianas disseram que também apreenderam uma grande quantidade de dados supostamente roubados, além de dispositivos e outros eletrônicos dos hackers. As autoridades informaram que planejam notificar as vítimas dos ataques.