
CISA confirma que hackers atacaram mais de 100 sistemas de água dos EUA durante julho
A agência de cibersegurança dos EUA, CISA, afirmou ter observado ataques cibernéticos visando mais de 100 sistemas expostos à internet no setor de água e águas residuais dos EUA, em meio a uma onda de ataques contra a infraestrutura crítica americana.
O número de sistemas afetados fornece um novo contexto sobre a escala dos ataques cibernéticos em curso contra provedores de água em Michigan, Minnesota e pelo menos outros cinco estados.
A agência federal, que supervisiona a defesa da cibersegurança e a proteção de infraestruturas críticas, afirmou em um alerta que os ataques têm visado principalmente controladores lógicos programáveis (PLCs), que são usados para controlar sistemas físicos e maquinário em provedores de água, sistemas de energia e outras partes de infraestruturas críticas.
Nas últimas semanas, hackers tiveram como alvo PLCs fabricados por vários fabricantes, incluindo Rockwell, Schneider Electric e, mais recentemente, a Siemens. A CISA declarou anteriormente que os ataques cibernéticos estão contando em parte com ferramentas de IA que utilizam informações públicas para desenvolver scripts capazes de atingir PLCs vulneráveis da Siemens.
As invasões tiveram pouco efeito sobre o abastecimento de água ou de águas residuais para as comunidades locais, mas resultaram em interrupções e perturbações enquanto equipes de resposta a incidentes investigam as violações. A CISA relatou anteriormente que algumas das invasões permitiram aos hackers modificar PLCs afetados para desativar processos de desligamento e alarmes, potencialmente criando “condições inseguras” sem notificar os operadores afetados.
Muitas das comunidades afetadas ficam em áreas rurais ou isoladas, onde a interrupção de sistemas de infraestrutura crítica pode afetar uma grande área de pessoas.
Relatórios que citam altos funcionários americanos dizem que a inteligência dos EUA acredita que o Irã provavelmente está por trás dos ataques, em grande parte oportunistas, contra provedores de água, provavelmente em resposta à guerra liderada pelos EUA e por Israel contra o Irã, embora as autoridades ainda não tenham feito uma atribuição concreta.
As invasões geraram preocupações mais amplas sobre a cibersegurança e a resiliência da infraestrutura crítica em todos os Estados Unidos.
Autoridades americanas alertaram nos últimos anos que hackers a serviço da China vêm instalando malware destrutivo em infraestruturas críticas, prontos para serem ativados como distração no caso de uma planejada invasão chinesa a Taiwan. A Rússia também foi associada a vários ataques cibernéticos contra provedores de água e redes elétricas e de energia em toda a Europa, como parte de uma campanha crescente vista como um teste à aliança da OTAN.