
Workshop de discotecagem recebe pessoas com deficiência visual e auditiva
Sexta, 28 de Agosto de 2026 - 17:15
Um grupo formado por pessoas com deficiência visual e auditiva participou, nesta terça-feira (25), do workshop de discotecagem gratuito promovido pela Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, em sua sede. A oficina foi desenvolvida pelo casal de DJs Anderson Farias e Camilla Hamuri, que são cegos e animaram a Balada Inclusiva 2025 em Guarulhos.
Durante a atividade, os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar e experimentar a mesa de DJ (mixer), receberam informações sobre o mundo da discotecagem e conheceram a trajetória dos dois DJs. Precursores e ícones, Camilla é cega em razão de ter nascido prematura e foi a primeira mulher deficiente visual a frequentar um curso de DJ convencional, em 1997. Desde então, ela tem participado de inúmeros eventos, como a Virada Cultural Inclusiva (2010, 2011 e 2012), a Virada Sustentável (2016) e a Balada Inclusiva (2019), entre outros.
O casal possui a empresa CAF Eventos, onde oferecem discotecagem para festas e eventos corporativos. Anderson é um dos pioneiros da discotecagem para deficientes visuais no país. Ele perdeu a visão aos 7 anos e é autodidata na mixagem. Responsável por criar o primeiro curso de DJ para deficientes visuais no Brasil (2012), desenvolveu uma ferramenta de acessibilidade para que DJs cegos pudessem utilizar softwares de discotecagem (2015). Ele já se apresentou na Feira Reatech e nas Paralimpíadas (2016), entre outros eventos.
Anderson é um ativista pela inclusão, palestrante e um ícone da música eletrônica, tendo inovado com ferramentas de discotecagem que auxiliam e inspiram uma nova geração de DJs cegos.
Oportunidade de conhecimento
Diego Salviano da Costa, de 33 anos, tem deficiência auditiva e participou do workshop acompanhado de uma intérprete de Libras da subsecretaria. Ele toca saxofone, está aprendendo violão e gostou muito da oficina. Segundo comentou, a comunicação do surdo e do deficiente visual é tátil. Ele tinha muita curiosidade em conhecer o equipamento do DJ e não achou muito difícil usá-lo. Diego colocou a mão na caixa de som para sentir a vibração das músicas.
Morando há pouco mais de um ano na cidade, o produtor fonográfico Luiz Henrique Kichel, de 36 anos, trabalha com audiodescrição e se interessou pela oficina por ter relação com seu ofício. Ele acha interessante essa atividade porque qualquer coisa que amplie o conhecimento e abra possibilidades para a pessoa com deficiência é muito importante. No caso dele, teve descolamento de retina causado pela incubadora da maternidade, o que acarretou baixa visão até os 15 anos. Hoje, seus olhos conseguem apenas enxergar a claridade.
A Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão integra a Secretaria de Direitos Humanos.
Imagem: Márcio Lino/PMG