Snap finalmente lança seus óculos de realidade aumentada esperados há tanto tempo, Specs, e, uau, eles não são baratos

TecnologiaPublicado em 16/06/2026
Desde mais de uma década agora, a Snap está trabalhando nesse dispositivo. Agora os óculos estão finalmente aqui. O que destaca-se na primeira impressão?
Snap finally debuts its long-awaited AR glasses, Specs, and, oof, they aren't cheap

Snap finally debuts its long-awaited AR glasses, Specs, and, oof, they aren't cheap

Em uma convenção de IA espacial em Long Beach, na terça-feira, a Snap finalmente revelou o Specs, seus aguardados óculos inteligentes para o consumidor — e, por US$ 2.195, eles não são nada baratos.

Os Specs estarão disponíveis para pré-venda a partir de 16 de junho, com um depósito reembolsável de US$ 200, e devem começar a ser enviados no outono nos Estados Unidos, Reino Unido e França. O preço é bem superior ao dos Ray-Ban da Meta (que podem custar a partir de US$ 350), embora ainda seja menor que o Apple Vision Pro, que começa em US$ 3.500. Ainda assim, o valor é alto o suficiente para ficar fora do alcance da maioria dos consumidores comuns.

A Snap trabalha nesse dispositivo há mais de uma década. Apesar disso, a última vez que a empresa lançou uma versão voltada ao consumidor foi em 2019 — as versões mais recentes eram exclusivas para desenvolvedores. No início deste ano, a Snap até criou uma nova empresa dedicada exclusivamente a levar o produto ao mercado.

Agora, os óculos finalmente chegaram. Então, o que chama a atenção à primeira vista?

Visualmente, os Specs parecem um par de óculos relativamente normal — embora um pouco mais robusto, com aparência semelhante a óculos de proteção. Esse volume extra vem de uma escolha de design importante: ao contrário de alguns concorrentes, todo o processamento acontece no próprio dispositivo, sem necessidade de um módulo externo.

Os Specs utilizam dois processadores Snapdragon e oferecem até quatro horas de uso contínuo, além de um estojo de carregamento que estende a autonomia total para até 20 horas.

Mas o que dá para fazer com eles?

Para começar, há jogos, incluindo opções multijogador compartilhadas entre dois usuários. A Snap chama esse recurso de “EyeConnect”, ativado simplesmente quando dois usuários fazem contato visual.

Você também pode assistir a vídeos (a Snap afirma que a tela oferece um campo de visão de 51 graus e 16 milhões de cores), gravar vídeos em primeira pessoa e, pelo menos em teoria, usar os óculos para trabalhar, já que permitem navegar na internet, acessar aplicativos de produtividade e checar e-mails.

Um dos destaques é a IA contextual: basta olhar para um objeto e fazer uma pergunta, que os óculos exibem informações sobre o que você está vendo — uma amostra da camada de assistentes de IA que vem se tornando um campo competitivo importante.

Os óculos estão disponíveis em dois tamanhos:

  • 47 mm (132 gramas)
  • 52 mm (136 gramas)

Isso os torna mais pesados que os Ray-Ban da Meta (que pesam menos de 30g), mas muito mais leves que o Vision Pro da Apple (que pesa entre 750g e 800g).

Também há proteções de privacidade. Assim como nos dispositivos da Meta, há um LED que acende enquanto o dispositivo está gravando. A empresa diz que os usuários terão controle sobre quais dados são armazenados, sincronizados ou excluídos.

Em um teste anterior na CES em Las Vegas, o dispositivo impressionou pelo uso da IA contextual e pelos aplicativos, mas também apresentou pontos negativos: era relativamente pesado e podia esquentar após algum tempo.

Pelo que parece, a Snap conseguiu reduzir o tamanho e melhorar a eficiência desde então.

A principal questão agora é se essa maratona de inovação de uma década se traduzirá em um negócio viável. Os Specs entram em um mercado cada vez mais competitivo, com a Meta liderando com seus Ray-Ban e o Google já anunciando sua própria linha de óculos com IA.

Quanto ao público-alvo, a Snap afirma que está focando inicialmente em entusiastas de tecnologia, desenvolvedores e estúdios — mas, a US$ 2.200, esse público precisará ter bastante dinheiro para acompanhar o interesse.

O preço elevado evidencia um dilema do setor: o interesse dos consumidores ainda não evoluiu de curiosidade para demanda consistente que gere lucro.

Resultado: ninguém ainda está ganhando dinheiro com isso. Até mesmo a Meta, líder atual, enfrenta grandes perdas em sua divisão de realidade aumentada.

A Snap, por sua vez, tem enfrentado dificuldades recentes, incluindo queda no engajamento de usuários na América do Norte e oscilações no valor de suas ações. Apesar de existir há mais de uma década, a empresa ainda não atingiu lucratividade consistente — e em abril realizou demissões.

Será que os Specs vão mudar esse cenário e inaugurar a próxima geração da computação? Ainda teremos que esperar para ver.

Fonte: TechCrunch