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Proprietários da Rivian processam a empresa por promessas falsas sobre recursos de condução autônoma

TecnologiaPor Redação Guarulhos Digital em 18/06/2026
Requerentes na ação coletiva alegam que a Rivian falsamente prometeu por anos que traria condução sem mãos para seus primeiros veículos da geração R1.
Rivian owners sue over false promises on self-driving features

Rivian owners sue over false promises on self-driving features

A Rivian foi processada sob a acusação de ter feito afirmações falsas sobre as capacidades de direção autônoma de sua picape R1T e do SUV R1S.

A ação coletiva, apresentada na quarta-feira no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Central da Califórnia, concentra-se nos modelos de primeira geração do R1T e do R1S e alega que a Rivian indicou que esses veículos seriam capazes de dirigir sem as mãos no volante e sem os olhos na estrada.

Esse tipo de capacidade também é conhecido como autonomia de Nível 3, uma classificação da Society of Automobile Engineers (SAE) que indica que o veículo pode controlar automaticamente direção, aceleração e frenagem sem que o motorista precise manter as mãos no volante ou os olhos na via em determinadas condições, como rodovias ou baixas velocidades. Isso não significa que o carro seja totalmente autônomo; o motorista ainda deve permanecer atento e assumir o controle quando necessário.

O processo afirma que a Rivian prometeu falsamente, ao longo de cinco anos e por meio de uma campanha nacional de marketing coordenada, que tornaria seu sistema de assistência ao motorista sem uso das mãos — chamado Driver+ — padrão em todos os veículos que fabrica. Entre os exemplos citados na ação está uma participação do CEO da empresa, RJ Scaringe, no evento TechCrunch Disrupt 2022, onde ele teria feito declarações sobre as ambições da empresa no campo da condução autônoma.

“Nenhuma atualização de software — por mais sofisticada que seja — permitirá que os veículos de primeira geração desempenhem conforme anunciado”, afirma a queixa. “A Rivian sabia, sem dúvida, que seus veículos de primeira geração jamais seriam capazes de alcançar autonomia de Nível 3 ou ‘verdadeira direção sem as mãos’, mas continuou promovendo essas supostas capacidades para induzir consumidores à compra.”

A Rivian se recusou a comentar o caso, citando o processo em andamento.

A ação, que inclui três autores principais, acusa a empresa de fraude, representação negligente e enriquecimento sem causa. Os escritórios de advocacia Coleman Law e Tycko & Zavareei, que representam os autores, solicitaram julgamento por júri.

Essa não seria a primeira vez que a Rivian enfrenta um desafio judicial com desfecho relevante. No ano passado, a empresa concordou em pagar US$ 250 milhões para encerrar uma ação coletiva movida por acionistas após aumentar repentinamente os preços de sua picape e SUV R1 em 2022.

Os veículos de primeira geração R1T e R1S não oferecem direção sem o uso das mãos. Já os veículos de segunda geração, atualizados em 2024, oferecem essa funcionalidade. Embora visualmente semelhantes, esses modelos tiveram mudanças internas importantes, incluindo bateria, suspensão, arquitetura elétrica, bancos internos e conjunto de sensores.

Como parte dessa reformulação, os veículos de segunda geração passaram a contar com a “Plataforma de Autonomia Rivian”, que vem de fábrica e inclui 11 câmeras, cinco sensores de radar e um computador dez vezes mais potente que o sistema anterior, segundo a empresa.

Inicialmente, o sistema nesses modelos incluía controle de cruzeiro adaptativo e assistência em rodovias, capaz de dirigir, frear e acelerar automaticamente em estradas selecionadas.

No ano passado, a Rivian lançou o recurso “Universal Hands-Free” via atualização de software para os veículos de segunda geração. A funcionalidade permite que motoristas tirem as mãos do volante em mais de 5,6 milhões de quilômetros de estradas nos EUA e Canadá, incluindo rodovias e vias urbanas, desde que haja marcações de pista visíveis.

A Rivian não é a única montadora a enfrentar processos por promessas relacionadas à direção autônoma. A Tesla e seu CEO, Elon Musk, afirmam há mais de uma década que seus veículos seriam totalmente autônomos com o software Full Self-Driving. Alguns proprietários processaram a empresa por não entregar sistemas totalmente autônomos sem supervisão.

A Tesla também tem sido alvo de scrutiny regulatório por alegações sobre as capacidades do Autopilot e do Full Self-Driving. O Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia acusou a empresa de violar leis estaduais ao promover de forma enganosa esses sistemas. Um juiz decidiu a favor do DMV, mas o órgão optou, em fevereiro, por não suspender as licenças de venda e fabricação da Tesla — uma penalidade prevista de 30 dias — pois a empresa deixou de usar o termo “Autopilot” em seu marketing na Califórnia.

Fonte: TechCrunch
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