Auto Escola Raposo

Qualcomm deseja ser o chip dentro de qualquer coisa que substitua seu smartphone, e acabou de anunciar dois produtos nesse sentido

TecnologiaPor Redação Guarulhos Digital em 16/06/2026
O CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, disse na terça-feira que a empresa está trabalhando em mais de 40 diferentes dispositivos de uso de inteligência artificial vestível — incluindo joias, fones de ouvido com câmeras, agulhas e relógios — um sinal de como a fabricante de chips está apostando agressivamente de que a próxima plataforma de computação importante não será um telefone.
Qualcomm deseja ser o chip dentro de qualquer coisa que substitua seu smartphone, e acabou de anunciar dois produtos nesse sentido

Qualcomm deseja ser o chip dentro de qualquer coisa que substitua seu smartphone, e acabou de anunciar dois produtos nesse sentido

O CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, afirmou na terça-feira que a empresa está trabalhando em mais de 40 dispositivos vestíveis com IA diferentes — incluindo joias, fones de ouvido com câmeras, broches e relógios — um sinal de como a fabricante de chips está apostando agressivamente que a próxima grande plataforma de computação não será o smartphone.

Para viabilizar essa visão, a Qualcomm anunciou duas novidades: uma plataforma chamada Snapdragon Reality Elite para óculos de realidade mista, projetada para rodar IA mais poderosa diretamente no dispositivo, e o Scalable Turnkey AI-Ready Toolkit (START), uma combinação de módulos de hardware e software voltada para dispositivos de IA, começando por óculos inteligentes.

Comparado à plataforma XR anterior, o novo Snapdragon Reality Elite oferece melhorias de até 60% na GPU, 30% na CPU e 160% na NPU, segundo a empresa. Esses percentuais podem ser difíceis de contextualizar, mas a Qualcomm destaca um dado concreto: a plataforma consegue executar um modelo de linguagem com 3 bilhões de parâmetros a 45 tokens por segundo, o que viabiliza interações rápidas e responsivas com IA. O chip também promete melhor rastreamento de cabeça e mãos, além de melhorias na visualização do mundo real.

O Snapdragon Reality Elite suporta resolução de 4.4K por olho a 90 fps, um leve avanço em relação à geração anterior (4.3K por olho). Quanto maior a resolução e a taxa de quadros, mais nítida e fluida é a experiência — algo importante para reduzir enjoo e fadiga ocular, problemas comuns em dispositivos de realidade imersiva.

Segundo a Qualcomm, a plataforma foi projetada para dois tipos de dispositivos:

  • Headsets VST (video see-through): sobrepõem conteúdo digital a uma imagem capturada por câmera do mundo real.
  • Óculos OST (optical see-through): integram elementos digitais diretamente no campo de visão do usuário.

Entre os primeiros produtos compatíveis estão o XREAL Project Aura (apresentado no Google I/O) e um dispositivo futuro da empresa Play for Dream.

Já o START inclui um chip de AR, uma plataforma de software, aplicativos complementares e um programa de marca branca (white label) para ajudar fabricantes a lançar produtos mais rapidamente. Esse programa oferece três designs de referência:

  • Dispositivo com áudio + câmera (semelhante aos óculos Ray-Ban da Meta)
  • Display monocular
  • Display binocular

Fabricantes como Inspecs e O’Neill (da TitanFlex) estão entre os primeiros parceiros. No futuro, a Qualcomm pretende expandir o START para além dos óculos inteligentes, incluindo outros formatos.

Em entrevista à CNBC, Amon explicou a estratégia por trás dessas iniciativas: à medida que empresas buscam coletar mais dados do mundo real para alimentar agentes de IA, surgirá uma nova onda de startups criando dispositivos em formatos variados — o que pode impactar grandes players como Apple e Samsung.

“Vai haver muita experimentação com formatos diferentes”, disse Amon. “Temos mais de 40 designs desses dispositivos, e os tipos são muito variados.”

Ele concluiu destacando o conceito central:

dispositivos que você usa continuamente, que estão sempre com você, que conseguem ver o mundo ao seu redor e fornecer contexto — permitindo acessar e conversar com um agente de IA a qualquer momento.

Com isso, a Qualcomm se posiciona explicitamente como a base tecnológica (camada de silício) da próxima geração de computação além do smartphone — e o programa START, em especial, busca reduzir as barreiras para novos fabricantes entrarem nesse mercado.

Compartilhe