
Governo federal exige que empresas de veículos autônomos parem de interferir com os socorristas
O administrador da Administração Nacional de Segurança no Trânsito nas Rodovias (NHTSA, na sigla em inglês), Jonathan Morrison, emitiu uma diretiva nesta quarta-feira para desenvolvedores de veículos autônomos (AVs), afirmando que é inaceitável que seus veículos interfiram com os socorristas ou com a aplicação da lei.
Morrison observou nacarta que a agência “identificou um padrão claro de veículos autônomos sem motorista interferindo na aplicação da lei e em outros socorristas”, citando instâncias em que esses veículos entraram em cenas de emergência ativas, bloquearam os caminhos de ambulâncias e bombeiros, ou falharam em reconhecer e responder a condições básicas de segurança, como luzes piscantes, sinalizadores, fumaça, fogo e cones de trânsito.
A agência exigiu que os desenvolvedores de veículos autônomos apresentem suas “soluções” para esse problema até o final do mês.
“Deixem-me ser claro: a incapacidade de detectar e responder adequadamente a tais situações representa uma insuficiência funcional”, diz a carta de Morrison. “Cenas de emergência não são ‘casos limite’ raros ou extremos. Como tal, a NHTSA está emitindo hoje um chamado à ação para que desenvolvedores e operadores de veículos autônomos concentrem imediatamente seus recursos na correção desse problema.”
A agência não menciona explicitamente nenhuma empresa específica na carta; no entanto, os detalhes sugerem que ela é direcionada a operadores de robótaxis como a Waymo.
A Waymo preferiu não comentar.
Uma investigação anterior do TechCrunch descobriu que a Waymo — que opera a maior frota de robótaxis nos Estados Unidos, com veículos em cidades como Los Angeles, Phoenix e São Francisco — teve confrontos repetidos com socorristas. Em pelo menos seis incidentes identificados pelo TechCrunch até março deste ano, os socorristas tiveram que assumir o controle de veículos da Waymo e retirá-los do trânsito durante situações de emergência. Em uma ocasião, um policial estava no meio do atendimento a um tiroteio em massa. Em junho, um policial foi gravado movendo um Waymo para desbloquear uma via para socorristas que se dirigiam a uma explosão de gás natural em um prédio de apartamentos.
A carta da agência aos desenvolvedores de veículos autônomos não diz quais seriam as consequências caso o pedido seja ignorado. Nem delineia quais seriam as soluções aceitáveis. Mas a agência dá a entender que responsabilizaria as empresas, assim como faz com motoristas humanos que atrapalham a aplicação da lei.
“Cada segundo importa quando policiais, bombeiros ou paramédicos estão atendendo a um chamado porque vidas estão em risco”, afirma a carta. “É por isso que motoristas humanos que impedem essas operações estão sujeitos a multas e até mesmo pena de prisão.”
A agência também observou em um comunicado à imprensa que acompanha a carta que está progredindo na atualização dos requisitos dos Padrões Federais de Segurança de Veículos Motorizados (FMVSS), que regem os requisitos de design e equipamentos de veículos. Essas mudanças propostas podem ajudar empresas de veículos autônomos como Tesla e Zoox, que estão desenvolvendo veículos sem volantes, pedais ou outros recursos exigidos em carros dirigidos por humanos. A agência já propôs regras que eliminariam a necessidade de limpadores de para-brisa, para-sóis, sistemas de desEmbaçamento e etiquetas de pneus. A agência lançou um novo Plano Regulatório e Agenda Unificada de 2026 na semana passada, delineando suas propostas.
O artigo foi atualizado para incluir a Waymo e sua recusa em comentar.