Endurance Energy levanta $54M para explorar uma imensa fonte de energia não explorada

TecnologiaPublicado em 11/06/2026
SpaceX alumni Andrew Redd está apostando que
Endurance Energy raises $54M to harness a massive untapped energy source

Endurance Energy raises $54M to harness a massive untapped energy source

Depois de trabalhar em foguetes que chegam ao espaço, pode ser difícil encontrar um segundo projeto à altura. Para Andrew Redd, ex-funcionário da SpaceX, isso significou olhar para as profundezas do oceano.

Redd, que cresceu no noroeste do Pacífico — região que nos últimos anos enfrentou ondas de calor incomuns e incêndios devastadores — sabia que queria trabalhar com energia renovável.

“Mas a experiência em uma empresa extremamente exigente como a SpaceX me fez perceber que não posso simplesmente criar uma solução incremental. Precisa ser algo totalmente novo e pensado a partir de princípios fundamentais”, disse Redd, que foi engenheiro nos projetos Dragon e Starship.

Redd deixou a SpaceX e fundou a Endurance Energy, uma startup que levantou US$ 54 milhões em uma rodada Série A para explorar, no futuro, terawatts de energia geotérmica no fundo do oceano. A rodada foi liderada pela Founders Fund, com participação de Ascend, Construct Capital, Felicis Ventures, First Round Capital, Point72 Ventures, Riot Ventures e Voyager Ventures. O novo financiamento permitirá que a empresa avance nos planos de construir usinas de energia em um momento de crescente demanda impulsionada por data centers de IA, veículos elétricos e indústria pesada.

Desde a fundação da empresa no ano passado, Redd ampliou a equipe para 25 funcionários, sendo 12 ex-colaboradores da SpaceX. O vice-presidente de engenharia da empresa também trabalhou anteriormente na Helion Energy, uma startup de fusão nuclear.

A energia geotérmica não é uma ideia nova — há milênios os humanos utilizam o calor da Terra, seja em fontes termais ou em usinas geotérmicas. No entanto, Redd, inspirado por sua experiência na SpaceX, identificou uma oportunidade pouco explorada.

Ele resumiu o problema da seguinte forma: qualquer fonte de energia do futuro deve ser renovável ou, pelo menos, não poluente. “Esse é meu ponto inegociável”, afirmou Redd, CEO da Endurance. Além disso, ela precisa estar disponível 24 horas por dia — o que se chama de energia de base — e ser rápida de implementar, com capacidade de gerar dezenas ou até centenas de gigawatts.

Ele descartou rapidamente a energia nuclear devido aos longos prazos regulatórios e de construção. Solar e eólica não operam continuamente sem baterias, e a energia hidrelétrica é limitada geograficamente (além de já ter explorado seus melhores locais). Restou, então, a geotérmica.

“A geotérmica é a única renovável de base realmente viável”, disse. “Mas por que ela representa apenas 0,4% da energia dos EUA?”

Existem outras startups atuando nessa área, como Fervo e Zanskar. Porém, essas empresas precisam perfurar milhares de metros na crosta terrestre para atingir temperaturas suficientes para gerar energia. Até agora, os melhores locais estão no oeste dos EUA, longe de grandes centros urbanos.

Locais ideais, onde a crosta é mais fina e o magma está próximo da superfície — como Islândia ou Califórnia — já foram amplamente explorados. Outras empresas têm encontrado novas áreas, mas precisam perfurar ainda mais profundamente, e esses locais também ficam distantes de centros populacionais.

A diferença é que ninguém explorou os oceanos.

Em várias regiões do planeta, placas tectônicas estão se separando, permitindo que magma quente chegue à superfície. A costa oeste dos EUA, o Japão e boa parte do Sudeste Asiático estão próximos do chamado Anel de Fogo, uma região geologicamente ativa que circunda o Oceano Pacífico.

Explorar o oceano apresenta desafios significativos. Operar em grandes profundidades não é simples, exigindo o uso de robôs. A água salgada é altamente corrosiva, então os equipamentos precisam resistir tanto à pressão quanto à corrosão.

Mesmo assim, Redd acredita que esses obstáculos são superáveis, citando décadas de experiência da indústria de petróleo e gás em perfurações marítimas. Ele argumenta ainda que o impacto ambiental tende a ser menor.

“Se acontecer um vazamento — por assim dizer — será apenas água quente liberada no oceano, algo que já ocorre naturalmente em grande escala”, explicou.

Alguns dos recursos geotérmicos que a Endurance pretende explorar estão a algumas dezenas de quilômetros da costa, enquanto outros ficam a centenas. A escolha dependerá de um algoritmo que equilibra custo de cabos submarinos, potencial energético e tamanho do mercado costeiro. A empresa também afirma que evitará áreas sensíveis, como ecossistemas próximos a fontes hidrotermais.

Se conseguir explorar mesmo uma fração desse potencial, o impacto pode ser enorme. Redd estima cerca de 6 terawatts disponíveis ao redor do Anel de Fogo nos próximos 5 a 10 anos — em comparação, o consumo global médio atual é de cerca de 20 terawatts.

“A ideia é que seja possível abastecer qualquer grande cidade costeira localizada no Anel de Fogo”, concluiu Redd.

Fonte: TechCrunch