Roda de conversa com pessoas com deficiência visual aborda importância da bengala longa

GuarulhosPublicado em 15/10/2025
Roda de conversa com pessoas com deficiência visual aborda importância da bengala longa

Roda de conversa com pessoas com deficiência visual aborda importância da bengala longa

Quarta, 15 de Outubro de 2025 - 14:49

O Dia Mundial da Bengala Branca, comemorado nesta quarta-feira (15), foi marcado por uma roda de conversa sobre a importância da bengala longa com pessoas com deficiência visual do projeto Práticas Educativas para a Inclusão Social (Peis), na sede da Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, no Macedo.

Para a subsecretária Mayara Maia, a bengala é mais do que um instrumento de locomoção, ela simboliza independência, coragem e inclusão. Cada pessoa que aprende a utilizá-la conquista não apenas o direito de ir e vir, mas também o poder de ocupar os espaços com autonomia e confiança.

O encontro aconteceu durante a aula de Braille e foi conduzido pela pedagoga e especialista em deficiência visual, Vanessa Lanzarotto, que ministra aulas de Braille e de soroban (cálculos matemáticos) do projeto. Ela explicou o significado das cores das bengalas: branca, usada por pessoas com cegueira; verde, indicada para pessoas com baixa visão e que ainda enxergam parcialmente; e vermelha e branca, destinada a pessoas com surdocegueira, que possuem comprometimento tanto na audição quanto na visão.  

De acordo com a educadora, ao se tornar uma pessoa com deficiência visual geralmente há resistência ao uso da bengala, porém com o treino se percebe que é um instrumento de libertação e independência.

Autonomia

Com visão monocular, Zilma Dias de Oliveira da Silva, de 62 anos, revelou que a princípio relutou em usar a bengala porque não queria ser identificada como uma pessoa com deficiência visual. Entretanto notou que, sem ela, não conseguia detectar a profundidade de degraus.

Moradora da Vila Rio de Janeiro, Zilma fez aulas de orientação em mobilidade do Peis e passou a usar o instrumento. Hoje considera o acessório seu equipamento de proteção individual (EPI) e não sai de casa sem ele, que a faz sentir-se segura e respeitada na rua.

Por sua vez, o aposentado Silvio Luiz Molina, de 65 anos, aluno de Braille, ficou cego aos 42 anos em razão de um acidente de carro e considera a bengala o seu guia por protegê-lo de veículos na travessia de vias e ajuda-lo no desvio de buracos nas calçadas. Ele vive sozinho, sem depender de outras pessoas para as tarefas domésticas como cozinhar.

Jéssica Natane Macedo Araújo, de 33 anos, perdeu a visão por conta de diabete e a princípio tinha medo de sair na rua, porém com o treinamento do Peis, adquiriu confiança para andar sozinha nas vias. Ela acredita que a bengala garante seu direito de ir e vir sem depender dos outros.

O Peis é coordenado pela Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, integrante da Secretaria de Direitos Humanos, e visa a promover a inclusão por meio de ações como orientação sobre mobilidade para o deslocamento e a garantia da vida autônoma com atividades internas e externas, leitura e escrita pelo sistema Braille, manuseio de instrumento de cálculos matemáticos (Soroban), entre outras. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 2414-3685.

Imagens: Marcio Lino/PMG
15/10/2025

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