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Compir promove roda de conversa em celebração ao Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

GuarulhosPor Redação Guarulhos Digital em 20/07/2026
Mulheres negras latino-americanas e caribenas lutam por igualdade e direitos em Guarulhos. Conheça as histórias e lutas das mulheres negras na construção da sociedade brasileira.
Compir promove roda de conversa em celebração ao Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

Compir promove roda de conversa em celebração ao Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

Segunda, 20 de Julho de 2026 - 16:24

O Conselho Municipal de Políticas para Mulheres e o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) de Guarulhos irão realizar na próxima quinta-feira (23), na Universidade São Judas Tadeu, a roda de conversa “Mulheres Negras e Políticas Públicas: Construção Histórica da Institucionalidade na Garantia de Direitos”. O encontro, que tem entrada gratuita e é realizado em parceria com a Subsecretaria da Igualdade Racial, acontece a partir das 14h na rua do Rosário, 476, Macedo. Não é necessário se inscrever, basta chegar e participar.

Vinte e cinco de julho é uma data de grande importância para a valorização da história, da cultura e da luta das mulheres negras. Nesse dia, celebram-se o Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. “São duas datas que reforçam a necessidade de reconhecer o trabalho, o esforço e o conhecimento das mulheres negras para a construção da sociedade, que nos guiam no enfrentamento das desigualdades ainda existentes”, afirma a presidente do Compir Guarulhos, a assistente social Greice Oliveira.

Greice mediará a roda, que contará com a participação de Flavia Costa, ativista da Unegro (União de Negras e Negros pela Igualdade) e ex-diretora do Departamento de Proteção ao Patrimônio Brasileiro da Fundação Cultural Palmares, e Edna Roland, ex-coordenadora da Mulher e da Igualdade Racial de Guarulhos e relatora da Terceira Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, conhecida como Conferência de Durban, importante evento que aconteceu em 2001 na África do Sul e que instou os estados-partes a adotarem um plano de ação contra as discriminações raciais.

O Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha foi instituído em 1992 durante o Primeiro Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, que reuniu representantes de diversos países para discutir racismo, sexismo, desigualdade social e a exclusão vivida pelas mulheres negras. Desde então o dia 25 de julho tornou-se um marco na luta pelos direitos humanos, pela igualdade de oportunidades e pelo reconhecimento do protagonismo feminino negro em diferentes áreas da sociedade.

No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, uma das maiores líderes negras da história do país. Conhecida como a Rainha Tereza, ela viveu no século XVIII e liderou o Quilombo do Quariterê (também citado como Quilombo do Piolho), localizado na região onde hoje está o Estado de Mato Grosso. Após a morte de seu companheiro, José Piolho, Tereza assumiu a liderança da comunidade quilombola, organizando sua administração, fortalecendo a agricultura, promovendo o comércio e estruturando formas de defesa que garantiram a resistência do quilombo por muitos anos.

Sua liderança tornou-se símbolo de coragem, inteligência política e resistência contra a escravidão. Sob seu comando, pessoas negras e indígenas viveram em uma comunidade organizada, baseada na cooperação, na autonomia e na busca pela liberdade. “A trajetória de Tereza de Benguela demonstra que as mulheres negras sempre exerceram papéis fundamentais na defesa da justiça, da dignidade e dos direitos coletivos”, explica Greice.

Em reconhecimento à sua importância histórica, a Lei nº 12.987, de 2 de junho de 2014, instituiu oficialmente o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrado no já citado 25 de julho. A data tem como objetivo promover a reflexão sobre a participação das mulheres negras na história do Brasil, incentivar políticas de igualdade racial e combater todas as formas de discriminação.

“Apesar dos avanços conquistados ao longo das últimas décadas, as mulheres negras ainda enfrentam desafios relacionados ao racismo estrutural, à desigualdade de renda, ao acesso à educação, à saúde, ao mercado de trabalho e à representatividade em espaços de poder. Ao mesmo tempo, são protagonistas em áreas como ciência, educação, cultura, esporte, política, empreendedorismo e movimentos sociais, contribuindo diariamente para o desenvolvimento do país”, comenta Jorge Caniba Batista dos Santos, subsecretário da Igualdade Racial de Guarulhos.

Imagem: Divulgação/PMG

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